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domingo, 19 de junho de 2011

Salame diz que reivindicações do MST são justas, mas condena transtornos causados a Marabá


O  bloqueio do  trecho urbano da Rodovia Transamazônica em Marabá, no sudeste do Pará, na manhã de quinta-feira,  por 1,5 mil  integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), que cobravam o assentamento de oito mil famílias, assistência técnica nos lotes já existentes e emissão de licenças ambientais, não passou desapercebido pelo deputado João Salame (PPS), que se encontra em São Paulo, a serviço da CPI do Tráfico Humano, da Assembléia Legislativa do Pará. No twitter, Salame opinou sobre o episódio, dizendo:  “De SP fico sabendo do caos que se tornou Marabá. Não é possível que um problema localizado perturbe toda a cidade. O Incra é o culpado”.
Depois de negociação com uma juíza e uma promotora, e a presença no local da Polícia Militar (PM), os manifestantes liberaram a estrada no começo da tarde. O deputado lamentou a atitude dos sem-terra, pelos transtornos que causou à população. “Toda a pauta do MST diz respeito ao governo federal. Mas o município é que está sofrendo e o Estado é chamado pra reprimir. É o mesmo filme”.
Na opinião do deputado, é  ” justa a demanda dos sem-terra. Mas não podem ter a antipatia da população parando a cidade. Devem radicalizar contra o Incra,que os engana. Se estiverem fechando o porto do Amapá é ação tresloucada.O MST, assim, está se colocando contra os trabalhadores da cidade”.
Os procuradores da República em Marabá, Tiago Modesto Rabelo e André Casagrande Raupp, ingressaram com ação na Justiça Federal, pedindo a desocupação das vias de acesso aos órgãos públicos na área onde está localizada a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), invadido e ocupado por cinco mil agricultores sem terra desde a semana passada.
Rabelo e Raupp também cobravam a desobstrução de estacionamentos públicos e das calçadas para permitir o acesso da população aos prédios da Justiça Federal, INSS e outros órgãos cujos caminhos foram ocupados pelos sem terra.
O MST, porém, não pretendia sair do prédio do Incra até que fosse  negociada, com autoridades de Brasília, a pauta de reivindicações do movimento. A juíza confirmou para a próxima segunda-feira, em Brasília, uma reunião entre líderes do MST e da Fetagri e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence. Os dirigentes das duas entidades pedem também as presenças na reunião do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
"Estamos cansados da enrolação do Incra com os trabalhadores rurais. Ninguém vai desocupar a sede aqui em Marabá enquanto nossas reivindicações não forem atendidas pelo governo federal", afirmou Tito Moura, um dos coordenadores do MST na região. Para a direção do Incra, a pauta dos movimentos sociais foi quase toda atendida e não há mais razão para o prédio continuar ocupado.
Segundo o superintendente do órgão em Marabá, Edson Luiz Bonetti, o orçamento triplicou para que as reivindicações fossem atendidas, principalmente com recursos para manutenção de estradas, assistência técnica e serviços de topografia nos assentamentos.
Moura rebateu, afirmando que nada ficou decidido na reunião com o Incra, porque os assentamentos que serão criados ainda estão na dependência de desapropriações, da desocupação de terras públicas e da retomada de lotes que estão em poder de grileiros. O líder do MST ameaçou "botar oito mil sem terra" na sede do Incra se a reunião em Brasília com o ministro não contemplar integralmente a extensa pauta do movimento

domingo, 5 de junho de 2011

Ibama e Incra precisam funcionar, afirma deputado

No plenário, terça-feira passada, João Salame cobrou do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis) e do Incra (Instituto Nacional de Colização e Reforma Agrária) melhor atuação, para que os problemas criados pela burocracia oficial não atrapalhe o desenvolvimento regional. “É preciso que o governo federal deixe dessa demagogia porque precisamos de políticas públicas e tanto o Incra quanto o Ibama não funcionam e isso favorece os crimes de pistolagem. Salame referiu-se a Pacajá, município do Oeste do Pará, onde a atuação desses órgãos está engessando a economia. O mesmo acontece em Breves, no arquipélago de Marajó, e Porto de Moz, na foz do Xingu, Baixo Amazonas..
No dia 31, em aparte concedido pelo deputado Milton Zimmer, que discursava sobre a criação do Estado dos Carajás, Salame aduziu que a pistolagem desenfreada no Sul e Sudeste do Pará está diretamente relacionada à ausência do Estado naquelas regiões.
A divisão do Estado do Pará foi a tônica do discurso do deputado Milton Zimmer, que também é da área que pode se tornar o novo Estado. Ele  disse que a divisão do Pará não pode ser discutida com interesses políticos, mas com a visão de promover o desenvolvimento de regiões isoladas que sofrem sem a presença do Estado.
“O pronunciamento do deputado Milton Zimmer reforça o que venho dizendo nesta casa: a divisão do Pará é boa para todos, principalmente para a parte remanescente, que ficará com 75% do PIB (Produto Interno Bruto, ou seja, a soma de todas as riquezas produzidas) atual, com área menor para administrar e implantar infraestrutura, e com mais poder político para a região Amazônica, que passará a ter 27 senadores, igualando-se ao Nordeste que é a região que mais tem dado presidente ao Congresso, porque tem representatividade”.
Salame disse ainda que é preciso discutir a criação dos novos Estados, Carajás e Tapajós, de maneira desapaixonada, sem bairrismo, para ver se é realmente um bom negócio para todos. “Até agora, estou convencido de que assim será melhor, pois as regiões que buscam a emancipação estão esquecidas historicamente pelo governo, sem capacidade para atender às suas demandas”.
Salame também ironizou aqueles que dizem que a Vale estaria interessada na criação do Estado dos Carajás. “A Vale nunca se manifestou sobre isso”, disse. O deputado acrescentou que muito se fala nos méritos de A ou B para levar para Marabá a usina siderúrgica da Vale, se esquecendo que esta também foi uma luta do povo organizado, bloqueando rodovias e ferrovias, ações das quais participou ativamente como militante político.